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Neurociência: como ela ajuda a entender a aprendizagem?

Laura Vasconcelos e Nathália Souza

Renato Filev

A neurociência estuda as áreas interligadas pelo sistema nervoso no corpo dos seres vivos. Como um emaranhado de conexões que ligam todos os membros e os órgãos do corpo, o sistema funciona como uma ferramenta de controle, que une desde as funções básicas do organismo, como andar, até as mais complexas, como raciocinar sobre cálculos matemáticos.

Direcionando o foco para o processo de aprendizagem, o biomédico e doutorando em Neurociências pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Renato Filev, defende a idéia de que nosso cérebro nunca para e que sempre estamos aprendendo algo novo. No entanto, com o passar dos anos, naturalmente, nossa capacidade de armazenamento de informações diminui.

Esse fenômeno acontece por que o processo de formação de novos neurônios no cérebro diminui e muitas células do sistema nervoso central morrem, enfraquecendo os músculos. Com o estresse oxidativo, causado pelo excesso de elétrons livres presentes na molécula de oxigênio, aumenta o número de radicais livres, causando danos ao tecido nervoso. As principais fontes dos elétrons livres são: má alimentação, consumo de álcool e nicotina, que se acumulam ao longo da vida no organismo humano.

Crescendo e aprendendo

A cada fase da vida, o corpo humano reage de uma forma e não é diferente com o cérebro. Quando criança, ele está em formação, por isso, há uma maior facilidade em guardar informações. Na adolescência, esse processo é mais intenso e não mais de repetição e, quando adultos, devido ao desgaste natural do corpo, a tendência é captar muita informação, mas selecionar e armazenar as que são julgadas como as mais importantes.  

Como o cérebro na criança está em formação, o processo de aprendizagem se encontra no auge. Existe um sistema de armazenagem ávido por captar informações do meio através dos sentidos. No jovem, este processo de aprendizagem ocorre de maneira mais intensa que em outras fases da vida. Nesta primeira etapa, o aprendizado por repetição e a grande quantidade de informações armazenadas são características principais. Já na fase adulta, ocorre uma perda no volume de informações armazenadas, porém, ganhamos qualidade e refinamento no que se é guardado, ou seja, ao longo de nossas experiências selecionamos as informações acerca daquilo que nos parece interessante”.

E essa história de que há um lado do cérebro que é responsável pela aprendizagem? Segundo Renato, “existem núcleos específicos responsáveis com aprendizados de diferentes tarefas. Neste sentido existem núcleos cerebrais que predominam em hemisférios específicos, e se tornam mais importantes para um tipo memória, como por exemplo a área de broca, núcleo cortical com predominância no hemisfério esquerdo”.

Além disso, existem alguns neurônios em regiões específicas para a formação da memória, como por exemplo, no hipocampo para memórias contextuais, que são lembranças conscientes da fonte ou lembranças específicas. “Você encontra uma pessoa que não conhece, mas pensa já ter visto em algum lugar, há algum tempo. Fica buscando lembranças passadas e percebe que uma semana atrás essa pessoa estava no mesmo ônibus que você”, exemplifica.

Cannabis x cérebro

Sistema nervoso central e a maconha

Sistema nervoso central e a maconha

Renato Filev estuda, em seu projeto de doutorado, os efeitos que o uso da Cannabis (popularmente conhecida como maconha) pode causar no cérebro humano. Em resumo, uma das substâncias presentes na Cannabis, o delta9THC, tem potencial para afetar a memória de trabalho, também conhecida como operacional.

Esse fenômeno ocorre através da interação com receptores canabinóides, presentes nos astrócitos (células neurológicas em forma de estrela), provocando um rearranjo nos principais neurotransmissores do sistema nervoso central (os glutamatos). Essa interação é capaz de provocar danos à memória de curta duração.

De acordo com Filev, “ao interferir na memória de curta duração em sua fase inicial da formação da memória, a Cannabis pode interferir no processo de consolidação da memória. Porém este efeito ocorre no período de intoxicação aguda do uso da erva”.

Quanto mais novos, mais informações os humanos guardam e, ao longo da vida, esses espaços vão sendo preenchidos de tal forma que não seja possível se lembrar de tudo que se é armazenado no cérebro. Além de que nem tudo o que se ouve ou enxerga é processado na forma de som e imagem corretamente.

Então, existe um limite de informações ou espaço que um ser humano pode guardar no cérebro? Segundo Renato, não. “Neste processo de armazenagem de informações, salvo as questões inerentes desta perda ou seleção de informações no processamento, não existe limite para o armazenamento de novas informações. Por isso é possível aprender novas experiências em todas as fases da vida”.

Fotos: Reprodução Google Imagens/ https://www.veja.abril.com.br,

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Pauta: O cérebro em estudo: como funciona o processo de aprendizagem?

Laura Vasconcelos e Nathália Souza

Nossa pauta abordará o tema Neurociência, um campo de estudo que reúne as áreas do conhecimento interligadas pelo funcionamento do sistema nervoso. O tema é amplo e engloba várias áreas da ciência, como biologia, fisiologia, física, psicologia, linguística e outras.

O cérebro é um paraíso dos neurônios e são eles o objeto de estudo dos neurocientistas. O ser humano tem bilhões de células nervosas e é preciso exercitá-las para garantir o bom funcionamento do corpo e da mente, uma vez que essas células são responsáveis por tudo o que se aprende ao longo da vida.

O responsável por nosso falar, pensar e desenvolver funciona como qualquer outro órgão: precisa se exercitar. Os processos de experimentação são fundamentais para que o cérebro se adapte às novidades e descubra por quais temas tem maior afinidade.

  • Existe um limite de informações ou espaço que um ser humano pode guardar no cérebro?
  • Como funciona o processo de aprendizagem em cada uma das fases da vida?
  • Porque quanto mais velhos ficamos menos informações nosso cérebro armazena?
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Falha Nossa: seria mesmo um mal entendido?

Filipe Monteiro

Por que será que sempre quando estamos sob pressão, estressados, ou, até mesmo, distraídos, temos a estranha tendência em trocar o nome das coisas, falar o que não devemos, ou dizer o exato oposto do que pensamos em falar? Este inusitado fenômeno não é novidade para ninguém. Há quem diga que tudo não passa de uma confusão das ideias, outros afirmam que há um motivo por trás do erro. Quanto ao conceito principal, Freud explica.

Reprodução: Google Imagens

Um dos casos mais polêmicos foi a falha cometida pelo tucano José Serra, na ocasião candidato à presidência do Brasil. Em campanha, Serra afirmou “eu nunca disse que sou contra o aborto, até porque sou a favor”, querendo dizer exatamente o contrário. Segundo o peessedebista, a ocasião não passou de um mal entendido.

Outro caso bastante comentado foi o episódio em que a jornalista Ana Paula Padrão, apresentadora do Jornal da Record disse ao vivo da cerimonia de abertura dos jogos olímpicos de Londres: “você está assistindo o Jornal da Globo”. Para muitos isso tudo não passou de uma confusão de palavras. É o que também pensa a aposentada, Marlene Lapa, 74. “Na hora da confusão, a razão fala mais alto. Eu acho que quando isso acontece, é apenas uma confusão de palavras. Nada além disso”, comenta.

Uma nova perspectiva

Reprodução: Café com versos

A compreensão dos estudos acerca do ato falho pode ser de suma importância em vários setores, seja na análise de mídia, análise política, na educação ou até mesmo na rotina diária.

A professora Soraya Farias, especialista em psicopedagogia pela Universidade Severino Sombra, destaca a importância da aplicação da psicologia nas relações com as crianças. “Todo mundo está sujeito a dizer as coisas sem pensar, mas com crianças isso ocorre com uma frequência maior. O papel do psicopedagogo é escutar tudo o que se tem a dizer com atenção e transmitir confiança, assim o aluno poderá se abrir e dizer os problemas que normalmente não diria a um professor. Dessa forma pode-se trabalhar o problema”.

Quanto à percepção das atitudes dos estudantes, Soraya ainda lembra: “Ao conversar com a criança, deve-se tomar o cuidado de adequar a linguagem usada. Não se pode tratar a criança como um adulto, mas tratá-las como bebês também não é eficaz. Uma simples análise de palavras ditas e atos pode ser suficientes para ter uma noção do que a criança vive em casa ou na rua”, afirma.

Falar com calma, organizar ideias, e prestar atenção no que se diz podem ser alternativas eficazes na elaboração de um discurso coerente. O que não se pode esquecer é que todos estão sujeitos a cometer falhas ou deslizes na hora de se expressar. Coincidência? Talvez. Confusão? Não se sabe. Isso tudo pode ser uma boa peça pregada pelo inconsciente. Em meio a tantos pensadores e cientistas, a afirmativa mais válida talvez venha da boca de um sábio garoto mexicano: “foi sem querer querendo”.

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