Arquivo da categoria: Produção jornalística em C&T

Gel pode recuperar tecido cardíaco danificado por infarto

Danielle Diehl

Na última semana, o Portal do Jornal O Globo e a Revista Veja publicaram matérias sobre um gel que poderá recuperar o músculo do coração após infarto. As duas matérias tratam de uma descoberta de cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego que já deu bons resultados em testes em animais.

Na edição do O Globo, a matéria é bem sucinta, explica rapidamente do que é feito o hidrogel e como é injetado e o processo de atuação. Usa como fonte Karen Christman, do Departamento de Bioengenharia da Universidade americana, que comenta sobre outros tipos de gel que estão sendo testados.

Já na edição da Veja, a matéria é mais longa, possui desenhos microscópicos do antes e depois do coração de um porco que passou pelos testes. Usa dados do Ministério da Saúde sobre a quantidade mortes por infarto do miocárdio. Utilizam de uma explicação mais detalhada da fabricação e ação do gel, além de um vídeo explicativo e um caixa de texto explicativo sobre tecido conjuntivo que é citado ao longo do texto e depois explicado nessa caixa.

Podemos notar que a matéria do jornal é mais uma nota sobre a descoberta dos cientistas, enquanto a matéria da Revista Veja é mais explicativa e se preocupa mais em deixar claro o processo de ação do gel, além de possuir um link que dá acesso a outra matéria sobre o mesmo assunto – ao fim da matéria, há também  a opinião de um médico especialista brasileiro sobre o assunto.

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Tubarão Cearense

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Geovani Fernandes

No dia 26 de janeiro de 2013, a Folha publicou a notícia de que um grupo de pesquisadores do Laboratório de Paleontologia e Vertebrados da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), descobriu uma nova espécie de tubarão no estado do Ceará, que viveu há 130 milhões de anos, no período Cretáceo. A matéria foi escrita pela jornalista Giuliana Miranda.

O local explorado foi a Bacia Hidrográfica de Lima de Campos. Segundo um dos pesquisadores, Felipe Pinheiro, que é estudante de mestrado, há fósseis de outras espécies descobertas que ainda não foram catalogados e a região é de extrema importância para a paleontologia, mas muito pouco explorada. Também há registros de outras bacias não exploradas no estado.

A seção do laboratório no site da UFRGS, quando acessada, mostra o nome de todos os seus pesquisadores, mas não mostra o conteúdo da pesquisa. Há um aviso de que a página está em construção. Talvez isso mostre uma falta do processo de comunicação no site da Universidade, algo que não exclui a competência dos pesquisadores.

A reportagem tem importância fundamental para o entendimento dos ecossistemas do passado e as espécies que habitavam a região naquela época. O interesse científico é geral, não sendo apenas para estudiosos da área, mas também leigos, seja de interesse educacional ou apenas curiosidade.

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Exumação de restos mortais da Família Real gera curiosidades e proporciona pesquisas

Iago Rezende e Bruna Lapa

Os restos mortais de D. Pedro I, além de suas mulheres, Dona Leopoldina e Dona Amélia, foram exumados, pela primeira vez, por cientistas brasileiros. A exumação faz parte da defesa de mestrado da arqueóloga e historiadora Valdirene do Carmo Ambiel. Para cumprimento dessa atividade, foram analisadas as publicações da revista Galileu e da notícia do G1.

O G1 utilizou como fontes professores dos departamentos de Medicina e Arqueologia da USP, além de uma entrevista com Valdirene do Carmo Ambiel. A linguagem construída pelo G1 foi mais formal. Além de ter se distanciado da simples divulgação do fato ocorrido, mostrando os encadeamentos da exumação na construção de um novo campo de pesquisa, a “arqueopatologia”, que estuda doenças a partir de vestígios do passado.

Já a abordagem da Revista Galileu, de linguagem informal, é objetiva e tem foco no caráter curioso da história, abordando progressos científicos na reconstrução do timbre vocal de D. Pedro I, bem como a análise estrutural de seu corpo, a fim de unir a história a fatos de cunho informativo e surpreendente, além do foco dado à mumificação de Dona Amélia.

Dentro da análise das publicações, a proposta da Revista Galileu está coerente com o seu perfil de revista de curiosidades, direcionada a um público jovem, porém, mesmo assim, há mais a ser explorado em uma pauta, como realizado pelo G1.

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Gel recupera função cardíaca perdida após enfarte

Daniella Andrade e Maysa Alves

O título deste post é também o título da matéria publicada pelo jornal O Estado de São Paulo no dia 21 de fevereiro de 2013. Esse mesmo tema foi abordado nas matérias das revistas Veja e Época,  no mesmo dia. As informações pertenciam ao Estadão que, no dia anterior, já havia publicado a matéria em primeira mão, com direito até a infográfico:

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O estudo realizado pela pesquisadora, Karen Christman na Universidade da Califórnia, San Diego, foi publicado no Jornal do Colégio Americano de Cardiologia e na revista Science Translational Medicine. Um gel, que tem como matéria-prima o próprio tecido do coração, foi capaz de recuperar parcialmente a função cardíaca perdida após o enfarte. A estratégia, aplicada com sucesso em porcos, deve ser testada em humanos ainda este ano, segundo os pesquisadores da Universidade da Califórnia. Ainda não existem terapias que promovam a reconstituição do músculo cardíaco afetado pelo enfarte.

O material foi injetado no coração de seis porcos, duas semanas após terem sofrido enfarte. Outros quatro porcos enfartados não receberam a terapia. Três meses após a aplicação, testes mostraram que os porcos que receberam o gel tinham melhorado a função cardíaca, enquanto os que não o receberam apresentaram piora. Foi observada a migração de células musculares para a região que recebeu o gel, além da formação de vasos sanguíneos nas áreas enfartadas. No grupo-controle, o tecido afetado tornou-se fino e fibroso.

A pesquisa veiculada no site da Universidade vem com muito mais conteúdo  e linguagem científica enquanto os veículos de comunicação nacional expõem um texto mais acessível e inteligível para os leitores. A revista Science fica no meio termo. É notável a perda de informações a respeito da pesquisa no que diz respeito ao próprio estudo, riscos e possíveis testes em seres humanos nos veículos desvinculados da instituição.

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Interesse público ou público de interesse?

Ana Clara Castro

A notícia veiculada pela revista Galileu, “Vacina anti-alcoolismo no estilo Laranja Mecânica pode começar a ser testada no final de 2013”, aborda o tema do alcoolismo. Uma equipe do Instituto de Dinâmica Celular e Biotecnologia da Universidade do Chile, criou uma vacina para combater o vício da bebida. A vacina produz sintomas de ressaca imediatos a ingestão do álcool e já foi testada em ratos. O estudo visa a uma negociação com grandes farmacêuticas para a comercialização da vacina, porém, de acordo com a revista, o preço da vacina é baixo, o que pode dificultar sua implementação.

A descoberta científica, ganha maior importância diante de um problema social que atinge grande parte da população, não só do Brasil, como também do mundo. De acordo com dados epidemiológicos sobre o uso de álcool no Brasil “a prevalência de dependentes de álcool, 17,1% dos homens e 5,7% das mulheres são dependentes, totalizando em 11,2% a porcentagem de dependentes alcoólicos.”(Dados do Centro de informação sobre saúde e álcool – Cisa). A pesquisa recolhe dados referentes não só ao consumo, como também o tempo gasto para conseguir o álcool, a tolerância de jovens e adultos em torno de sua ingestão e outros sinais e sintomas de dependência.

A revista Galileu aponta o problema e traz indagações em torno de questões sociais e sobre o “direito ao alcoolismo”, ou seja, o livre-arbítrio do dependente ou a inexistência de tal liberdade. Porém ,não explora o assunto: apesar de apresentar questões pertinentes e relevantes para uma reflexão em torno da descoberta, deixa à margem suas implicações de contexto. A notícia, que apresenta problemas atuais, só reforça a necessidade de pautas em torno do assunto. Não apresenta assuntos relacionados, que poderiam tratar do interesse público em torno da matéria científica que não deveria se restringir a um único público de interesse.

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Novo teste rápido pode detectar hanseníase antes dos sintomas

Bárbara Monteiro e Roberta Nunes

O site do programa “Bem Estar” da Rede Globo, divulgou no dia 21 de fevereiro de 2013 uma notícia com o título “Novo teste rápido pode detectar hanseníase antes dos sintomas”. A abordagem feita pela pesquisa revela a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que desenvolveu um teste rápido para detectar a hanseníase. Isso foi possível através de uma parceria entre a empresa brasileira Orange Life e o Instituto de Pesquisas Infecciosas (Idri) dos Estados Unidos.

O teste pode diagnosticar, através de uma gota de sangue, a doença causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que é transmissível pelo ar e pode ficar anos encubada no organismo sem se manifestar. O benefício do teste se constata pela rapidez em constatar a doença, impedindo por meio do tratamento seu desenvolvimento no organismo. Apesar disso, o Ministério da Saúde não definiu se vai usar o teste como estratégia de controle da doença.

Já o jornal Estadão aborda a descoberta de uma maneira mais abrangente. Segundo o site, a hanseniase é transmitida pelo contato prolongado com o doente. Sendo assim, o teste seria uma ferramenta para a diminuição do contágio. Além disso, eles alertam para que o uso do teste seja feito em dois Estados brasileiros a serem definidos. Ceará, Pernambuco e Mato Grosso estão no páreo. O veículo não divulga a relação entre os Estados e a incidência dos casos.

O presidente da empresa brasileira Orange Life afirma que o teste não deverá custar mais que US$1. O teste aumenta a independência das equipes de saúde por sua agilidade e facilidade de ser realizado. O Estadão não divulgou se o Ministério da Saúde irá usar o teste para controle da doença.

A relevância dessa pesquisa para a população são os benefícios que o teste proporcionará para o disgnóstico rápido da doença. Lembrando que o Brasil é um dos líderes no número de casos.

Veja mais:

 

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Embrapa inicia projeto para tornar fabricação do biocombustível mais eficiente

Caroline Gomes e Viviane Ferreira

Encontramos a matéria “Embrapa inicia projeto para tornar fabricação do biocombustível mais eficiente” no Jornal Estado de Minas, publicada no dia 22 de fevereiro de 2013. A notícia trata de uma pesquisa realizada pela Empresa Brasilera de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que visa à fabricação do biocombustível etanol lignocelulósico, também conhecido como de segunda geração 2G, que é mais eficiente e barato.

O projeto de pesquisa é uma parceria da Embrapa com outras instituições, como a Universidade de Brasília, Fundação Oswaldo Cruz, Universidade Católica de Brasília e a Universidade de Campinas.

O Jornal Estado Minas, publicou a matéria em uma abordagem detalhada e, a partir desta, encontramos nos sites de instituições ligadas ao projeto, reportagens semelhantes. Por exemplo, nos sites de agroenergia da Embrapa e das agências das Universidades de Brasília e de Campinas.

Um ponto importante analisado é que no Jornal Estado de Minas, no site da Embrapa e da Universidade de Brasília a matéria é mais recente, já a publicada pela Universidade de Campinas é do ano passado, sendo, porém, a mais completa, trazendo mais informações sobre o tema. O fato da Unicamp ter sido a primeira a divulgar a pesquisa demonstra a preocupação da Universidade em apresentar o conteúdo e os resultados para a sociedade anteriormente.

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Época, Nasa e 17 bilhões de planetas

Nathália Souza Silva

A matéria da revista Época sobre a descoberta da agência espacial americana, a NASA, trata da existência de pelo menos 17 bilhões de planetas em nossa galáxia com dimensões parecidas com as da Terra. No entanto, isso não que quer dizer que são habitáveis.

Em pesquisa no site oficial da NASA, pude verificar que há uma notícia sobre este assunto e que a quantidade de informações é superior à da revista Época. O texto da NASA é mais complexo e traz informações relevantes para o entendimento mais específico do assunto, como uma disseminação científica, na qual o tema é publicado de especialista para especialista.

A revista Época faz um apanhado geral da notícia, superficialmente, somente para deixar seus leitores a par dos acontecimentos científicos no mundo. O texto é simples, as informações generalizadas e não há uma preocupação com termos técnicos ou dados específicos para explicar o assunto.

Já o texto pesquisado na site da NASA é um release feito pelo jornalista responsável para a divulgação em outros meios de comunicação. Porém, mesmo com esse trabalho de simplificar a pesquisa e escrever um texto mais leve, a complexidade ainda contida no texto tornou-o difícil de entender. O jornalista que repassou a notícia e reescreveu no site da Época obteve a tarefa de simplificar mais ainda o conteúdo e deixá-lo superficialmente compreensível.

Concluindo, o tema em questão é assunto sempre em pauta, uma vez que a curiosidade humana em querer saber o que há além dos olhos é enorme. Uma notícia como essa instiga a querer conhecer mais do mundo, saber nossa origem e, quem sabe, nosso fim. Tudo o que diz respeito à Terra e aos planetas sempre estará nos interesses das pessoas e cabe a nós, jornalistas, levar ao público assuntos relevantes e interessantes, para que cada vez mais um pedaço do universo seja desvendado.

Para saber mais sobre esse assunto, acesse o site da revista Época e o da NASA, para informações mais completas.

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Abordagens sobre a exumação dos corpos da Família Real trazem à tona realidade histórica

Bruna Fontes, Cristiano Gomes e Rosianne Silveira

A partir de uma pesquisa nos sites do jornal Folha de S. Paulo, da revista Galileu, e em consulta a organizações e entidades de disseminação científica, produzimos uma análise acerca do mapeamento do que foi divulgado sobre a exumação dos corpos da Família Real, pauta que ganhou grande repercussão e que marca um período histórico brasileiro, contribuindo também para o desenvolvimento científico no Brasil.

“Corpos da família imperial são exumados”

A reportagem da Folha de S. Paulo traz informações explicativas sobre o passo a passo do trabalho, liderado pela historiadora Valdirene Ambiel, 41, que fez parte da dissertação de mestrado defendida no Museu de Arqueologia e Etnologia da USP.

Segundo a historiadora Valdirene, uma das motivações para o estudo foi a preocupação com a conservação dos corpos: “Há infiltrações, problemas de manutenção e o relevo não ajuda”, diz Valdirene. As informações também foram publicadas no jornal “O Estado de S.Paulo“.

O que chama a atenção na matéria da Folha é o aprofundamento nos detalhes, com imagens que ajudam as pessoas a entenderem melhor, além de opiniões de outros especialistas envolvidos na pesquisa, como o médico Edson Amaro Jr, professor associado de radiologia na Faculdade de Medicina da USP e o médico Paulo Saldiva, professor de patologia na USP, que também trazem informações importantes.

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Múmia de Dona Amélia, segunda esposa de D. Pedro I

“Entenda o que significa a exumação do corpo de Dom Pedro I e suas mulheres”

O ponto crucial da abordagem da Revista Galileu  é relativo às mudanças históricas causadas em decorrência à descoberta de dados importantes sobre a vida e morte da Família Real.

Sob a luz de intensos anos de pesquisa, a historiadora marca todo um período nacional ao desvendar detalhes preciosos como, por exemplo, o fato de haver uma múmia entre os cadáveres. A segunda esposa de Dom Pedro I permaneceu intacta, conservando unhas, globos oculares, cabelos, cílios e até órgãos internos, como o útero. Esta descoberta já aponta Dona Amélia como a múmia mais preservada do Brasil.

O que impressiona na matéria é, além da descoberta em si, o modo como o avanço da tecnologia faz com que conceitos históricos passados de geração em geração sejam mudados, empiricamente.

Onde tudo começou…

Durante o período de pesquisa, consultamos o site da Universidade de São Paulo (USP), assim como páginas de alguns departamentos da instituição, onde foram desenvolvidos os trabalhos de Ambiel. Não foi encontrado nenhum link ou referência da tese de mestrado, nem ao menos do processo de construção de tal fato.

Outros sites de relevância na pesquisa científica também se nota a ausência de informações, que ganhou grande repercussão na mídia brasileira.

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Pesquisa institucional da Embrapa sobre biocombustível

Marcos Resende e Eduardo Braga de Oliveira

Foram analisadas as áreas de Ciência de três jornais impressos da região sudeste: Folha de S. Paulo, Estadão e Estado de Minas.

Nos dois primeiros jornais, as notícias giravam em torno de assuntos universais e em evidência na atualidade, como Astronomia. As fontes usadas por esses jornais eram, em sua maioria, do exterior.

Já na seção de Ciência e Tecnologia do Estado de Minas, foi encontrado uma notícia  sobre biocombustível, um assunto que trata de questões de âmbito nacional e de relevância no atual cenário econômico.

Notícia: “Embrapa inicia projeto para tornar fabricação do biocombustível mais eficiente

Fontes do Estado de Minas:

  • João Ricardo M. de Almeida, pesquisador Embrapa Agroenergia;
  • Patrícia Abdelnur, pesquisadora Embrapa Agroenergia;
  • Guilherme Oliveira, pesquisador Fundação Oswaldo Cruz;
  • Nádia Skorupa, professora UnB.

Logo no título, notamos que uma instituição pública, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), está por trás da pesquisa. Lendo a notícia, constatamos o envolvimento de outras instituições tais como a Unicamp, FioCruz e UnB.

Nos portais das respectivas instituições, encontramos menções à pesquisa, em especial no site da Agência UnB, onde a matéria é exatamente idêntica à da notícia do Estado de Minas.

No fim da notícia, fica claro que se trata de uma pesquisa institucional composta por um time multi-institucional de 20 pesquisadores (FioCruz, Embrapa, Unicamp, UnB, e outras instituições brasilienses) com data de conclusão prevista para 3 anos.

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