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Ser diferente é normal

Bruna Lapa

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Ser diferente é normal. A frase, inserida no meio de uma propaganda antiga, acompanhava uma cena simples: uma adolescente cantando e dançando sozinha em seu quarto, algo cotidiano, comum. A menina era portadora de Síndrome de Down e, assim, o texto fazia todo sentido. Uma mensagem que ficou gravada na memória. É a mais pura verdade, também é assim que pensam aqueles que estudam, pesquisam e planejam sobre a educação para crianças portadoras de deficiências, seja qual for.

Foram esses pesquisadores curiosos e interessados no assunto que, através de seus trabalhos, iniciaram grandes mudanças na história da educação mundial. Se formos dar um pulinho no passado para observar a realidade em que viviam essas crianças ao longo do tempo, percebemos que falar sobre educação infantil para deficientes e educação inclusiva é algo relativamente recente.

Segundo um artigo da professora Elzabel Maria Alberton Frias, durante a idade antiga e a idade média houve um período de grande exclusão social e marginalização relacionados às pessoas portadoras de deficiências. Muitas eram rotuladas como inválidas, perseguidas ou até mesmo mortas, forçando-as a se esconder longe do convívio social. Aos poucos, a questão foi evoluindo, passando por um período de assistencialismo, até chegar ao século XX, no qual a questão foi se configurando por uma visão mais científica, relacionada à medicina, pedagogia e psicologia, mais próxima à forma atual.

Felizmente, o avanço desses campos de pesquisa possibilitou a criação de leis que garantem os direitos dos portadores de deficiência, inclusive o direito à educação. Atualmente a lei é clara: é obrigatório acolher todos os estudantes independente de suas diferenças e necessidades . Por trás desses avanços, pode-se encontrar grandes histórias sobre força e luta pela inclusão social, como a vida de Berenice Piana, responsável pela formulação de uma lei, batizada com seu próprio nome, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com transtorno do Espectro Autista.

Mãe de um filho portador do transtorno, Berenice precisou batalhar por uma lei para que a legislação brasileira passasse a proteger melhor os direitos das crianças autistas. Em entrevista ao programa Encontro com Fátima Bernardes, Berenice contou um pouco mais da sua corajosa aventura (assista aqui). Além disso, compartilhou com outras mães suas experiências e opiniões sobre educação inclusiva.

Este é um assunto polêmico que ainda gera debates entre especialistas de diversas áreas. Há quem diga que a melhor forma de se educar uma criança é ao lado de todas as outras, não importando as diferenças que existam entre elas, para que possam conviver em sociedade. No entanto há o argumento contrário, daqueles que acreditam que uma escola inclusiva não está realmente preparada para lidar com todas as especificidades que uma criança portadora de deficiência necessita, sendo melhor, assim educá-la ao lado de outras iguais a ela, tentando evitar que ela sofra e/ou seja excluída por ser diferente.

Sobre o tema, no prefácio do livro “Inclusão de pessoas com deficiência e/ou necessidades específicas: avanços e desafios” de Margareth Diniz, a professora Mônica Rahme escreve: “é preciso entender que a escola, como instituição social, foi tradicionalmente idealizada para públicos que correspondiam a um padrão de normalidade, reproduzindo, por meio de seus rituais e de suas práticas, discursos que definiam e legitimavam o que era considerado norma e desvio, normalidade e anormalidade”.

Ao longo do livro a autora Margareth reafirma: “durante muitos anos a educação se pautou em estudos cuja centralidade era a normalidade, e consequentemente quem não se enquadrava em padrões de normalidade era considerado desviante”, e declara, ainda, que “a Escola Inclusiva está afinada com os direitos humanos, porque respeita e valoriza todos (as) os (as) alunos(as), cada um(a) com as suas características individuais”. Dessa forma, para se tornar inclusiva, a escola precisa se adaptar às novas necessidades trazidas pelas diferenças, para atender a todas as crianças, respeitando e garantindo seus direitos.

Para conferir o primeiro capítulo do livro, clique aqui

No entanto, para se adaptar às novas demandas, a educação inclusiva ainda precisa enfrentar obstáculos diariamente. Os dois maiores são a infraestrutura necessária e a intolerância. Com o primeiro item, é relevante chamar a atenção para cuidados básicos a serem tomados ao lidar com crianças portadoras de deficiências, como a capacitação de professores, o acompanhamento de psicólogos, a acessibilidade, livros em braile, professores que dominem a linguagem de libras, e também preparação prévia para que as outras crianças lidem melhor com as diferenças no dia-a-dia. Porém, ligados ao segundo item estão o preconceito e o bulling que atrapalham não apenas o desenvolvimento de uma educação inclusiva como o de toda a sociedade. Tudo isso aliado ao fato de que, como já mencionado no livro da professora Margareth, a sociedade nunca se baseou nos portadores de deficiências para construir seus laços e estruturas, o mundo foi pensado para um padrão de “normalidade”.

Tudo bem ser diferente

Essas e outras questões são retratadas no blog  www.tudobemserdiferente.com, da jornalista e professora universitária Sônia Pessoa. Em suas postagens, a jornalista e mãe  procura colocar em pauta assuntos do cotidiano ou pesquisas relacionados à educação inclusiva, trocando, compartilhando e debatendo experiências. Após receber o diagnostico de hidrocefalia durante a gravidez, a ideia do blog surgiu repentinamente. Sônia define o Tudo bem ser diferente como um “espaço aberto para ideias sobre crianças diferentes, um lugar para compreender, entender e ensinar através  do que aprendem com essas crianças tão especiais”.

Sobre as motivações que a levaram a escrever sobre o tema, Sônia conta: “A indiferença à diferença, em geral, sempre me incomodou, mas eu não sabia o porquê nem sabia direito o que fazer com essa inquietação. Como professora de Comunicação encontrei alguns alunos que mereciam um olhar diferente, o que nem sempre consegui atender. Nem por isso o incômodo passou. Há seis anos sou mãe de uma criança que tem hipotonia e problemas de coordenação motora. A cada dia percebo que a sociedade está avançando em relação às diferenças, mas as instituições ainda são morosas e despreparadas. Os problemas começam com a educação infantil e perpetuam até a idade adulta. O blog nasceu a partir dessas inquietações. Por enquanto, só recebi apoio e mensagens que estão de acordo com a proposta do espaço: ser diferente é absolutamente normal; ainda não encontrei humanos iguais por ai, nem mesmo os gêmeos. E não é favor nenhum reconhecer e respeitar a diferença, seja ela de cor, sexo, deficiência, enfim, a diferença é bem vinda”.

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A importância da hidratação antes, durante e após o exercício físico

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Foto: Reprodução

Eduardo Braga de Oliveira

Praticar atividades físicas é ótimo para a saúde. Com essa recomendação, profissionais da saúde, como médicos e educadores físicos, estimulam a prática de esportes e exercícios físicos.

Corrida, futebol, tênis, natação, caminhada são alguns exemplos de atividades para o combate ao sedentarismo. Mas não pense que é só ir calçando um tênis e sair fazendo exercícios por aí. Alguns cuidados têm que ser tomados para uma atividade segura, como usar roupas apropriadas, fazer uma avaliação médica e se hidratar bem. Aliás, a hidratação é um dos aspectos mais importantes antes, durante e após uma atividade física.

A água é o maior componente do corpo humano, ocupando entre 45% e 70% de seu volume, e possui papel importantíssimo na regulação da temperatura corporal. Durante a prática de exercícios, há perdas significativas de líquidos e minerais, por isso, uma hidratação adequada é fundamental para que o rendimento físico e a saúde não sejam prejudicados.

Durante a prática esportiva, a taxa de transpiração é altamente variável, oscilando entre 1 e 2 litros de líquidos por hora de exercício, dependendo do ritmo e intensidade.

A desidratação, como conseqüência das perdas de água pelo suor, origina uma série de alterações, tais como aumento da freqüência do pulso, da temperatura retal, da respiração, da concentração do sangue, a diminuição do volume de sangue, dificuldades na circulação, formigamento e intumescimento das mãos e dos pés. Podem perder-se a totalidade das reservas de glicogênio, de lipídios e cerca de metade da proteína corporal sem que a vida corra um perigo real, mas quando a perda de água por desidratação excede os 7%, há uma elevação da temperatura e, como resultado, surge o sobreaquecimento de alguns tecidos, podendo ocorrer um choque térmico, cujas conseqüências podem ser fatais, caso não haja uma intervenção rápida. Assim, para que o organismo funcione bem, é necessário repor a água e sais minerais que se perdem de forma a proporcionar um equilíbrio entre a entrada e a saída da mesma.

Segundo João Carlos Bouzas Marins, professor de educação física da Universidade Federal de Viçosa (UFV), durante a prática esportiva, a taxa de transpiração é altamente variável, oscilando entre 1 e 2 litros de líquidos por hora de exercício, dependendo do ritmo e intensidade a perda de peso no atleta é um importante indicador de desidratação e deve ser observada atentamente. Mas ele também defende que só o uso da água não é suficiente para repor o equilíbrio hídrico, pois o organismo perde sais minerais durante o exercício: “ Em atividades que ultrapassem 60 minutos de duração, a ingestão de bebidas carboidratadas  passa a ser considerada”.

A professora do curso de biomedicina do Centro Universitário Feevale, em Novo Hamburgo, RS, Rejane Giacomelli Tavares, fala, em seu artigo Estratégias de hidratação antes, durant e após o exercício em atletas de elite, que a maioria das pessoas não percebe quanto realmente transpira e nem a rapidez com que pode se desidratar.

Por exemplo, jogadores de futebol podem perder de 1,5 litros a 3 litros de suor durante um treino ou jogo com 90 minutos de duração, principalmente em locais de clima quente. Ainda que as pessoas transpirem de maneira diferente, a perda de líquidos podem causar problemas para todos os indivíduos ativos.
Se os líquidos perdidos com o suor não forem repostos, a desidratação e a fadiga precoce são inevitáveis.

Dicas de como se hidratar:

  • Antes do exercício: fazer uma ingestão adequada de água 24 horas antes da realização da prova ou do exercício, consumir 500 ml de água ou isotônico 2 horas antes do exercício.
  • Durante o exercício: se possível a cada 20min  ingerir água ou isotônico.
  • Após o exercício: hidratar com alguma bebida isotônica, fazer uma refeição rica em carboidratos.
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Desvendando os mistérios das galáxias – parte I

Thiago Anselmo

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Quem nunca, ao menos uma vez, em um pôr-do-sol ou nascer da lua, em uma noite estrelada em uma estrada enquanto viajava, ou até mesmo na fazenda, parou para olhar o céu, se encantou com as estrelas, com a lua que ali brilhava, com as magias que o reflexo da luz solar, em seu poente, translucidava nas nuvens, dando vários efeitos de cores.

Ainda misterioso para grande maioria da população, o céu esconde várias magnitudes que nos fazem refletir e nos encantam. Não precisa ser um gênio da física ou da química para saber um pouco mais sobre as belezas que se escondem no céu acima de nós. Para ser um astrônomo casual, você só precisa de um pouco de dedicação, curiosidade e alguns instrumentos básicos para se deliciar com as belezas ocultas a olho nu, aproveitando para observar o céu principalmente à noite, quando tudo fica mais visível.

O Universo é imenso. Não se sabe ao certo o seu tamanho e nem até onde vai. Com várias galáxias, estrelas em bilhares, muitos planetas e luas. Muitos estudos relacionados a astronomia estão sendo realizados, principalmente a existência de vida extraterrestre  que é um tema há tempos estudado por especialistas de todo o mundo. Imagina se em outra galáxia existir um planeta habitável? Seria incrível!

Não sabe o que é galáxia? Não sabia que existiam outras? Que tal saber um pouco mais sobre GALÁXIA?

O que é GALÁXIA?

É um grande sistema, um aglomerado de estrelas, gás, poeira cósmica e matéria escura (matéria que interage gravitacionalmente). E tudo isso é interligado pela força gravitacional exercida nos centros das galáxias, impedindo a dissipação dos componentes dos sistemas.

Muito misteriosa, as galáxias, com base em alguns dados de observação, podem ter um buraco negro supermaciço em seus centros. “Um dos mistérios ainda a se desvendar é o papel dos buracos negros supermassivos na evolução das galáxias. Parece que toda grande galáxia tem um buraco negro supermassivo em seu centro”, explica o pós-doutor Hélio Pinto, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Classificação:

As galáxias diferem bastante entre si. Existem dois tipos morfológicos para classificação: elípticas e espirais. As galáxias que não têm uma forma definida são classificadas como irregulares. Segundo o professor da UFRJ Carlos Rabaça, Doutor pela Universidade do Alabama (EUA), “a força básica que vai definir a forma de uma galáxia é a gravitacional. Entretanto, há galáxias de formas distintas… Por quê? Existem dois fatores fundamentais que definirão a morfologia da galáxia: a quantidade de gás e poeira distribuídos na região de formação e a própria dinâmica local, que é dada pela matéria na vizinhança”.

As Galáxias espirais apresentam uma forma totalmente espiral, formada por um núcleo, um disco, um halo (região do espaço ao redor das galáxias espirais) e braços. Dentro dessa classificação, há vários tipos de galáxias. Essa diferenciação vem de observações feitas nos núcleos e braços da galáxia, que podem ser menores, maiores, mais afastadas, mais próximas. Também existem galáxias que não demonstram ter braços estelares, mas têm todas as outras características – essas são classificadas como Espirais Lenticulares.

Com base em anos de estudos, astrônomos chegaram à conclusão de que as Espirais são compostas por uma vasta quantidade de estrelas mais novas do que velhas, pois sua dissipação de gás e poeira é maior, permitindo a formação estelar nos braços até os dias de hoje, por exemplo.

As Galáxias Elípticas apresentam formas esférica ou elipsoidal, não importando o ângulo de sua visão. Ela é classificada como “E”, e sua variação vai de 0 (mais esférica) até 7 (mais elíptica – alongada). Devido a sua forma, o consumo do gás e da poeira cósmica foi tão intenso em sua formação que, atualmente, a quantidade de estrelas velhas é grande, e é difícil ou quase impossível a criação de novas estrelas.

Existem vários tamanhos de galáxias elípticas. Vão desde super-gigantes até anãs. Algumas super-gigantes podem ter até 10 trilhões da massa solar, mas são extremamente raras. Já as anãs, essas são as mais comuns do Universo.

“Baseado em simulações numéricas (programas de computador), hoje acreditamos que o processo de aglutinação de matéria irá levar à formação de galáxias que têm a forma espiral. Galáxias elípticas ou lenticulares seriam basicamente resultantes de um processo de coalescência (fusão) entre duas galáxias espirais ou um processo onde todo o gás e a poeira necessária para a formação estelar tenham sido exauridos em alguma etapa inicial na formação da galáxia. Nesse cenário, as galáxias irregulares seriam galáxias ainda em formação, onde há abundância de gás e poeira”, explica o professor Carlos Rabaça.

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Desvendando os mistérios das galáxias – parte II

Thiago Anselmo

Se você não viu a parte I, clique aqui.

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Formação e evolução:

De acordo com o site da NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço), as galáxias começaram a se formar depois do Big Bang, quando o Universo ficou composto por radiação e partículas subatômicas. A partir disso, eventos como a recombinação de elementos começaram a acontecer, principalmente com o hidrogênio e hélio. Essas recombinações foram acontecendo até criar as galáxias que conhecemos hoje.

Quando levaram em conta apenas as estrelas que se encontram dentro de cada galáxia, elípticas (estrelas mais velhas) e espirais (estrelas mais novas), o pensamento era que as galáxias nasciam como espirais e, com o passar dos anos, se tornariam elípticas, mas estudos comprovaram que ambas contêm estrelas bem velhas, com cerca de 10 bilhões de anos.

Então, por que a diferença?

A explicação está no gás que compõe as galáxias. O professor Hélio Pinto explica que “em 1982, Allan Sandage propôs um cenário simples, no qual o balanço entre a taxa de formação estelar e a dissipação de energia do gás poderia explicar a formação dos dois grandes grupos de galáxias: as elípticas e as de disco. Considerando que a galáxia não está isolada, podemos adicionar as interações gravitacionais como ingrediente adicional à ideia de Sandage. A interação gravitacional entre outras galáxias (estejam estas também ou não em formação) pode afetar de forma dramática a morfologia de uma galáxia.” Nas espirais, o gás teve uma dissipação maior e, até hoje, o processo de formação estelar continua, enquanto nas elípticas o gás foi consumido de forma rápida, por causa de seu pequeno deslocamento, ficando mais concentrado.

Via Láctea:

Esse é o nome da nossa galáxia, uma das mais estudadas atualmente. Ela é uma galáxia espiral. Os mitos, observações e estudos vêm desde 450 anos antes de Cristo. São estudos bem antigos que, ou já foram desmentidos, ou serviram de base para atuais pesquisas.

A Via Láctea contém mais de 200 bilhões de estrelas (alguns cientistas dizem que pode chegar a ter o dobro – 400 bilhões), e tem uma idade de, aproximadamente, 13,7 bilhões de anos. É nela que se encontra o Sistema Solar. Ela faz parte de um aglomerado de galáxias que se chama Grupo Local, composta por cerca de 50 galáxias. Juntamente com a Galáxia de Andrômeda, a Via Láctea é o membro mais massivo desse grupo.

No Grupo Local existem todos os tipos de galáxia: espiral (ex.: Via Láctea, Andrômeda e M33), elíptica (ex.: M32 e M110) e várias outras irregulares e/ou anãs.

Como uma das galáxias principais do Grupo Local, a Via Láctea tem, ao seu redor, várias outras galáxias que são conhecidas como Galáxias Satélites. Questionado sobre qual é a galáxia mais próxima da nossa, o professor Hélio disse que é a de Sagittarius. “Esta galáxia já se encontra em processo de interação (com a Via Láctea) e boa parte de suas estrelas já foi arrancada, formando um princípio de corrente estelar”. Completando, o professor disse que “possivelmente, em mais 1 bilhão de anos, essa galáxia já estará completamente destruída e suas estrelas passarão a fazer parte do halo da nossa Galáxia”.

Nossa galáxia é igual às outras. Segundo o professor da UFRJ Thiago Signorini, “não há uma diferença fundamental. A nossa galáxia possui bilhões de estrelas, algo comum em outras galáxias. Existem algumas maiores e outras menores. De um modo geral, as galáxias se dividem em dois grupos: as elípticas e as espirais. A Via Láctea é uma galáxia espiral típica. Existem cerca de 100 bilhões de galáxias no Universo. A nossa é apenas mais uma delas!”

Galáxias morrem?

A resposta é não. As estrelas têm um período de vida e demoram bilhões de anos para atingir o ápice e morrer – podendo se tornar um buraco negro -, mas as galáxias não têm esse período de existência. O que pode acontecer com elas é uma colisão de galáxias, onde a mais forte sobrevive, por assim dizer, ou então há uma integração.

O professor Hélio explica que uma galáxia não morre: “Ela pode ser incorporada a outras galáxias maiores por vias de interação gravitacional”. Segundo ele, “uma das galáxias deixa de existir, pois foi aglutinada a outra. Se a colisão é de galáxias de tamanho similar, podemos dizer que ambas deixaram de existir e formaram uma terceira”. Mas o professor Carlos deixa claro que “nem toda colisão levará à fusão”, pois há colisões que apenas distorcem a estrutura das galáxias.

Já o professor Thiago, Doutor pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia, afirma que a “morfologia da galáxia se altera. Além disso, devido a ondas de choque, o gás existente nas galáxias se comprime, e isso causa um episódio de intensa formação estelar” – (veja aqui).  Esse choque é muito comum no Universo, acontecendo, principalmente com a galáxia do nosso sistema solar, a Via Láctea.

Essa união de galáxias é um fator determinante para a criação de novas estrelas, já que, quando há o choque, a interação entre seus compostos acontece, tendo a reação da poeira e do gás.

Curiosidades:

  • *Você sabe de onde vêm os brilhos das Galáxias? A luminosidade que é emitida pelas galáxias vem das estrelas que compõem a própria galáxia e, dependendo da região, pode ser de gás ionizado que emite luz visível.
  • *As duas maiores galáxias do Grupo Local, a Via Láctea e Andrômeda, colidirão daqui a 4 bilhões de anos. Para saber mais sobre isso, clique aqui.
  • *Antigamente, o processo de formação das galáxias era diferente. As galáxias com a mesma massa da Via Láctea formavam estrelas com intensidade 10 a 100 vezes maior que a própria Via Láctea. E isso é algo que não se sabe até o hoje o motivo.
  • *O Sol está localizado em cima do disco galáctico da Via Láctea.
  • *Qual o papel do Buraco Negro na formação das galáxias supermassivas? Como ele foi parar ali? Como se formou? Esse é um mistério a ser desvendado pelos estudiosos.
  • *O Brasil possui concessões nos maiores telescópios existentes até o momento. A astronomia vem crescendo no território nacional. O Ministério de Ciência e Tecnologia avalia a possibilidade de entrar no consórcio na criação do maior telescópio, que terá 40 metros de diâmetro e será construído no Chile.
  • Podemos observar três galáxias a olho nu: Andrômeda, a Grande Nuvem de Magalhães e a Pequena Nuvem de Magalhães. Mas lembre-se: você precisa de um local longe da iluminação e observar bem o céu, pois esse cuidado e atenção lhe revelará várias coisas, principalmente essas três galáxias. Leia mais.
  • Pesquisas falam que a galáxia mais distante da nossa está a 12 bilhões de anos luz de distância.

*As curiosidades acima são baseadas nas informações cedidas pelos professores Thiago Signorini e Hélio Pinto (pós-Doutor pela Universidade de São Paulo -USP).

Por que estudar as galáxias?

Para o professor Hélio, “estudamos os corpos celestes porque buscamos compreender nosso local no Universo.” E o professor Thiago completa: “como podemos viver na Via Láctea, ou no Sistema Solar, e não entender como eles se formaram? Quem nunca se perguntou, ‘de onde viemos’?”

Então, enquanto não obtemos essas respostas, que tal aproveitarmos que “estamos dentro do disco da Via Láctea – e esta só é vista como uma faixa rica em estrelas projetada no céu” e nos deliciarmos com as maravilhas enquanto ainda é tempo. Mas, para isso, é preciso estar num local com pouca iluminação, distante da poluição (atmosférica e luminosa) para que as estrelas acima de nossas cabeças possam brilhar de forma especial.

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Tremores no Brasil: fim do mundo ou não?

Yasmini Gomes

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Em 2012, abalos sísmicos registrados na cidade de Montes Claros, em Minas Gerais, chamaram a atenção de geólogos e pesquisadores em todo o Brasil. Eles chegaram a cerca de 4,5 graus na escala Richter, valor considerado baixo em relação ao maior tremor já ocorrido no mundo, notificado no Chile em 1960. O fato assustou a população e especialistas devido à sua raridade na região e até mesmo no país, chegando a ser associado a sinais de que o fim do mundo, previsto para o ano em questão, estava chegando.

É comum que abalos sísmicos ocorram em áreas próximas as bordas de placas, como na costa leste dos Estados Unidos e em países da América do Sul. As placas tectônicas, que são parte da crosta terrestre, podem se movimentar de forma convergente ou divergente e, devido a essa instabilidade, vulcões se formam, tremores são sentidos, montanhas ou abismos surgem. Essas manifestações podem ser observadas através da Cordilheira dos Andes e dos vulcões que deram origens a ilhas como o Japão e a Islândia.

O ano de 2012, segundo superstições no calendário Maia, seria o ano do fim do mundo. Inúmeras pessoas de todo o mundo acreditaram nessa ideologia, e foram associando fatos para tornarem o mito verdadeiro. Dona Josefa Miranda, moradora de Montes Claros há 35 anos, acredita que o fim do mundo está próximo e conta que se preocupou com algumas mudanças ocorridas ano passado. “Eu sou muito religiosa e sei que o mundo vai acabar de novo, como acabou uma vez na Bíblia. Sou pouco estudada, mas sei que terra tremer no Brasil não é natural. Então quando eu soube rezei pros meus santos pra que a gente não morresse de forma triste”.

Porém, há um explicação cientifica para esses acontecimentos, demostrando que não estão associados ao fim do mundo. De acordo com a geógrafa Shirley Sousa, o território brasileiro, apesar de estar localizado no centro da placa sulamericana, está sujeito a abalos sísmicos. “A cidade de Montes Claros, por exemplo, se encontra no local onde ocorre a subducção entre a placa sulamericana e a placa de Nazca. Essa última se funde com o manto e irradia ondas sísmicas ao longo do território brasileiro, ao se deparar com falhas geológicas, pode ocasionar os tremores de terra”, afirma. Outras regiões do país também são alvo desse tipo de tremor, como no Acre e em alguns estados do Nordeste.

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Aliada brasileiríssima: planta amazônica protege a pele de danos causados pela radiação solar

Ana Paula Abreu

O tipo de câncer mais comum no Brasil é o de pele. O clima tropical e a grande quantidade de praias, que contribui com a ideia de beleza associada ao bronzeamento, são alguns fatores que favorecem a exposição excessiva das pessoas à radiação solar. Visando encontrar soluções ou medidas preventivas, estudos sobre protetores para a pele estão em alta.

Processo histórico

Em 1944, o farmacêutico Benjamin Greene inventou o primeiro filtro solar efetivo mas, somente em 1984, o produto foi introduzido no Brasil. Pesquisas realizadas com o passar dos anos possibilitaram o desenvolvimento de diversos produtos destinados à proteção contra os raios solares. Um dos mais recentes é o da aluna de doutorado do Programa de Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (USP), Ana Luiza Forte.

Da Amazônia para o laboratório

A pesquisadora da USP encontrou no extrato do caule de uma planta amazônica, conhecida como Breu Branco, substâncias capazes de neutralizar os radicais livres. Segundo a dermatologista Nara Nunes Vieira, “os radicais resultam de processos normais do corpo, são como sobras de energia formadas a partir de reações químicas que ocorrem em nosso organismo”.

Planta amazônica conhecida como breu branco. (foto: João Medeiros/ cienciahoje.uol.com.br)

Vieira esclarece que as defesas naturais do corpo são capazes de remover os radicais, no entanto, a ação dos raios solares acelera a reação dessas moléculas, o que gera uma produção excessiva e dificulta o êxito das proteções naturais da pele.

O gel produzido a partir da descoberta dos antioxidantes presentes na planta Breu Branco neutraliza a ação dos radicais, prevenindo os danos causados pela interação da alta quantidade destes, potencializada pelos raios solares, com outras estruturas presentes na pele.

Um perigo invisível

Segundo o doutorando Jader Carlos Moreira, a radiação solar, assim como a eletromagnética, consiste em ondas de propagação de energia com diferentes frequências de oscilação. A radiação ultravioleta (UV) emitida pelo Sol é eletromagnética e tem frequência imediatamente maior do que o violeta (radiação de maior frequência que o olho humano pode enxergar). Desse modo, é uma radiação invisível e de maior energia do que as pessoas são capazes de visualizar. “Justamente por ser emitida pelo Sol, a radiação UV encontra-se em abundância na natureza e sua interação mais profunda com as células pode levar a indução de algum tipo de mutação genética culminando em aparecimento de tumores”, finaliza Moreira.

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Cuidados com a alimentação evitam doenças graves

Carolina Brito

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Imagem: Reprodução

Segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Data Popular, 65,3% dos brasileiros alimentam-se fora de casa. Este fator contribui para que seja feita uma dieta desequilibrada, com excesso de gorduras e déficit de nutrientes.

A desnutrição, doença mais comum ocasionada pela má alimentação, causa cansaço, fraqueza, tontura e perda de peso. O tratamento é feito por médicos e nutricionistas e, em alguns casos, é necessário o uso de medicamentos.

A falta de vitaminas pode provocar diminuição da imunidade, e até mesmo cegueira, em casos mais graves. Em contraponto, a ingestão de grande quantidade de alimentos gordurosos e calóricos pode provocar obesidade.

Conforme explica Bruno Guimarães, médico do Previne (Mariana – MG), as principais causas de morte no Brasil ocorrem por doenças do aparelho vascular, como o AVC (acidente vascular cerebral) e o infarto agudo do miocárdio, que estão diretamente relacionadas à obesidade. Além disso, o diabetes tipo 2, que atinge aproximadamente 90% dos diabéticos, também está ligado à ingestão de gordura em grande quantidade.

Segundo o médico, existem casos de pessoas magras que têm uma dieta rica em lípide e, talvez por uma questão genética, não transformam a gordura ingerida em gordura corporal. Indivíduos com esse perfil devem ter os mesmos cuidados dos obesos, pois também vivem com a saúde comprometida.

“Também existem casos de pessoas com sobrepeso que são desnutridas, porque ingerem alimentos muito calóricos, ocasionando ganho de peso, mas não consomem todos os nutrientes necessários”, afirma Bruno.

Dicas para uma alimentação balanceada

“O prato tem que ter cor. Quanto mais cor, maior a quantidade de nutrientes”, afirma a nutricionista Carla Fernandes Costa. Ela esclarece que um almoço saudável deve conter carboidratos, como arroz e feijão (que também é fonte de proteína), e carne magra, que possui menor quantidade de gordura. A porção de carne pode variar entre 80 e 100 gramas, de acordo com a atividade física realizada com frequência.

A dieta também deve ser composta por proteínas, vitaminas, legumes e verduras. Sobremesas doces devem ser evitadas, devido ao alto teor calórico, sendo substituídas por frutas. As frituras também devem ser deixadas de lado, já que alimentos grelhados e assados são mais benéficos ao organismo. Segundo Carla, deve-se ter atenção para que seja ingerido pouco sal, pois, em excesso, este ingrediente aumenta a pressão arterial e faz que o corpo retenha mais líquido.

O ideal é que alimentos gordurosos não sejam ingeridos no dia a dia, devido ao aumento do colesterol e entupimento das artérias. Por conter muito açúcar, o refrigerante deve dar lugar a sucos naturais e água sem gás. Além de uma alimentação balanceada, exercícios físicos feitos regularmente também são essenciais para uma vida saudável.

exercício e dieta

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Obsolescência programada: tempo certo para morrer

Roberta Nunes

Por que os produtos eletrônicos quebram facilmente? Por que trocamos tanto de celular e existem várias versões deles?  Se parar de funcionar o que compensa mais, consertar ou comprar outro?

De um lado, a tecnologia vai se inovando e produzindo  produtos melhores, do outro os produtos vão sendo ultrapassados rapidamente trazendo consequências para o meio ambiente.  Contrariando as ações sustentáveis, estratégias de marketing e de incentivo ao consumo são propagadas, cada vez mais. O conceito de obsolescência programada, que é a prática intencional da indústria de diminuir a durabilidade dos produtos, une-se a outras iniciativas que fomentam as compras. Em países desenvolvidos, a vida útil dos eletroeletrônicos já caiu de seis para apenas dois anos, entre 1997 e 2005.

A grande oferta de produtos e a concorrência fazem com que se torne mais fácil e barato adquirir algo atual, mas será que o barato sai caro?  Todo o gasto, por exemplo, para a produção de um novo celular, inclui, entre outros fatores, a extração das matérias primas, o contexto social do local e dos trabalhadores envolvidos no processo, além do  impacto ambiental após a vida útil do celular. Uma hora ou outra os custos, seja dos recursos naturais, humanos ou materiais, vão pesar.

Obsolescência: Individualismo, consumismo e desperdício?

Para o professor José Abrantes, pesquisador em Engenharia Mecânica do  Centro Universitário Augusto Motta,  a obsolescência é fruto do individualismo, consumismo e do desperdício. Para ele “só mudaremos quando já estivermos muito próximo do fim de condições mínimas de uma vida digna em nosso planeta”.

Autor do artigo sobre o ciclo de vida de um produto e conservação do meio ambiente,  o professor reflete sobre soluções para a obsolescência.  “A solução seria uma forte mudança de hábitos e comportamentos (behaviour keeping) na matriz de consumo, o que vai de encontro ao modelo consumista que está em prática no mundo atual. Não vejo outra alternativa que não seja esta mudança no consumo, embora reconheça ser “praticamente” impossível”, enfatiza.

O lixo eletrônico

Segundo a matéria  publicada no G1, 80% do lixo eletrônico produzido nas nações ricas é destinado aos países em desenvolvimento. Anualmente 40 bilhões de toneladas de lixo eletrônico são produzidos, desses acredita-se que 70% vão parar na China e de lá são exportados para outros países como Cambodja e Vietnã.

O pesquisador e articulador de projetos de apropriação crítica de tecnologia, cofundador do blog Lixo Eletrônico e da rede MetaReciclagem, Felipe Fonseca, ainda afirma : “São os países mais pobres e com menos infraestrutura que acabam recebendo o material descartado, e é a população menos protegida em termos de segurança do trabalho que trabalha de maneira precária com esse tipo de material”.

 Estratégias para minimizar

Felipe Fonseca começou o  interesse  pelo tema trabalhando com a recuperação de computadores usados. Ele  descobriu no trabalho a extensão dos males causados pela obsolescência programada. Ao dar entrevista para o Blog, ele sugere dicas para minimizar as consequências negativas do consumo desenfreado:

1  – Reutilizar os equipamentos para estender sua vida útil.

2 – Descartar de maneira responsável.

 3 –   Pressionar a regulamentação aprovada pelo Brasil da Política Nacional de Resíduos Sólidos que  prevê a logística reversa dos eletroeletrônicos e a devida responsabilização pela deposição final de eletroeletrônicos.”

4 –  Antes de comprar produtos, checar se o fabricante tem uma política de coleta de equipamentos ao fim da vida útil.

5 –   Dar visibilidade a todas as etapas do processo de fabricação, consumo e deposição final dos eletroeletrônicos.

Documentário:

O documentário espanhol “Obsolescência programada”, no português “Comprar,tirar,  comprar” , de 2011, levantou  discussão ao tema apresentando a prática da obsolescência desde a indústria capitalista de 1930 e 1940.  A diretora Cosima Dannoritzer, em entrevista ao Blog Científico Jornalismo,  desvenda alguns mistérios sobre o tema.

Ela decidiu fazer o filme  para descobrir se havia verdade por trás dos mitos.  Entre eles, as lâmpadas criadas para durar para sempre que não eram produzidas devido aos misteriosos desaparecimento dos  inventores.  “E, como se pode ver no filme, a verdade é ainda mais estranha do que todos os mitos”, enfatiza. Quanto aos processos econômicos, ela afirma acreditar que “há um enorme potencial na atividade econômica, mas isso  não envolve somente a compra rápida de um objeto que se transforma depois  em resíduos mais rapidamente”.

Assista ao documentário:

Obsolescência programada em impressoras

Um exemplo apresentado no documentário é a possível obsolescência programada utilizada para diminuir a vida útil de impressoras da marca Epson, que quando chegam a uma determinada quantidade de páginas impressas, param de imprimir.

Cosima Dannoritzer

Reprodução | Cosima Dannoritzer

Cosima, diretoria do filme, afirma:   “Nem todos os modelo de impressora mais recentes ainda tem chips que bloqueiam a impressora.   Mas na maioria das vezes temos uma mistura de obsolescência técnica (ex: materiais de má qualidade) e obsolescência psicológica. Em que no menor sinal de um problema que necessita de reparação ficamos felizes em poder jogar fora aquilo que ainda funciona a fim de substituir por um novo. Em geral, muitos de nós, os consumidores somos cúmplices neste jogo. Nem os fabricantes, nem os consumidores questionam-se o suficiente quando se trata de comportamento e consequências a longo prazo. Mas é um jogo que precisa de dois para jogar. Ou seja, seria muito fácil dizer que a indústria é ruim e o consumidor a vitima. Como se costuma dizer: é preciso dois para dançar o tango.”

“É quase como se os consumidores tivessem um chip de obsolescência em suas cabeças”.

Posicionamento da empresa Epson

Em resposta  a abordagem do filme, Koji Nawata, gerente de produtos de impressoras  da Epson, em entrevista ao Blog Científico Jornalismo afirma que o propósito da Epson é garantir uma impressão de qualidade, por isso,  existe uma manutenção programada, e não a obsolescência programada. Segundo Koji, em algumas impressoras existe um  chip que contabiliza o limite de páginas a serem impressas,  isso é desenvolvido como forma de aviso para manutenção, para  que após um tempo determinado outras peças não sejam danificadas com o uso indevido.

A empresa ao ser questionada sobre a possibilidade da impressora estar em perfeito estado, mas somente parar de funcionar devido ao chip, explica que a visão da Epson é de uma impressão de qualidade. Koji explica que este é o ponto crítico entre engenharia e vendas. Ele afirma: “A engenharia sempre vai procurar que a empresa  Epson produza com qualidade. Não podemos fabricar uma impressora que imprima com má qualidade e seja aceitável, porque o produto final não é a impressora e sim o papel que ela imprime”.

Confira alguns depoimentos dados para o blog Científico Jornalismo  sobre a durabilidade de produtos eletroeletrônicos:

Arquivo pessoal

Cláudia Santos Siqueira, 48, de Campo Grande, Mato Grosso do Sul,  acha que os produtos mais antigos são mais duráveis que os novos. Entre as experiências, ela conta: “Celular? tenho um tijolo aqui que  até hoje funciona,  já o do meu filho não pode nem cair”. Ao dizer que o conserto de eletroeletrônicos antigos são mais caros, relata que tem um video cassete que ficou mais caro do que um novo ao ser arrumado.

Arquivo pessoal

Após somente um ano de uso de uma câmera fotográfica Sony Cyber-Shot, de 16.1           megapixels, a jornalista de São Paulo,  Heloiza Ferraz, 30,  teve que recorrer  a uma  loja de eletrônicos pois a câmera não queria mais ligar.  Ainda na garantia, recebeu a informação de que não compensava arrumar porque era um problema no processador. Ela teve que adquirir um novo produto enquanto a outra ficou  na caixa inutilizada. “Você paga caro em um produto eletrônico, pois paguei R$ 600,00 na que quebrou, e ele para de funcionar com 1 ano de uso,  sendo necessário  se desfazer dele, já que na maioria das vezes, com o preço do conserto dá pra comprar um novo”.

Ludmilla T. Freitas

Arquivo pessoal

A musicista Ludmilla Freitas , 23, de Belo Horizonte,  relata que há mais de 10 anos possuí um gravador de voz de fita cassete portátil, que é walkman ao mesmo tempo e ainda funciona.  Ela ganhou na adolescência, e utilizou como diário, e também para brincar de entrevista com amigos durante uma viagem escolar.  O gravador era “bem diferente daqueles mp4 que  muitos têm e  eu também já tive, mas depois de um ano já não se usava porque dava defeito, e a qualidade da gravação era péssima”.

Aprenda  mais: 

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Mundo conectado, Games e o acompanhamento de conteúdo

Os jogos de videogame deixaram de ser levados como puro entretenimento e representam agora produtos de esforço intelectual passíveis de serem estudados e abordados como tais. O fenômeno dos games já entra em discussões governamentais, como a inclusão ou não no programa do governo brasileiro Vale Cultura, e também em discussões científicas como pesquisas comportamentais sobre a influência dos games nos jovens.

Nos Estados Unidos, berço da cultura gamer, pesquisas como as de Patrick Markey, da Universidade de Villanova, e de Paul Adachi, da Universidade de Brock, no Canadá, estão sendo direcionadas à Associação Americana de Psicologia com o intuito de desvendar as reais influências dos games nos jovens. Esses estudos sugerem que os games têm pouca influência sobre o comportamento violento dos jovens. Dentre o universo de influências negativas, o estudo aponta que entretenimento digital é uma das que geram menor preocupação. Outras pesquisas indicam, porém, que crianças impulsivas e hostis não devem ser expostas a jogos com conteúdo violento.

As teorias e opiniões que cercam o polêmico assunto estão longe de serem unânimes. Entretanto, grande parte das pesquisas convergem para um ponto crucial, que é a atenção ao histórico de hostilidade dos jovens e a orientação familiar e escolar para com os conteúdos não só dos videogames, mas de toda a mídia.

O que a psicologia tem a dizer sobre?

No contexto atual, os games estão sendo elevados ao patamar de dependência e responsabilizados pela mudança repentina no comportamento dos jovens como nos episódios dos massacres nas faculdades e colégios dos EUA. Nesses casos, o uso frequente de jogos violentos, além de outros fatores, foram apontado como uma das causas para essa mudança. Trazendo para o âmbito nacional, Wellington Menezes de Oliveira, responsável pelo massacre do Realengo, no Rio de Janeiro, foi apontado como usuário de jogos violentos.

Contudo, não só o videogame era um fator comum entre estes jovens. Todos os protagonistas das chacinas tinham também histórico de isolamento, bullying, problemas familiares e má tutela dos pais. Margareth Diniz, professora adjunta de Psicologia da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), ressalta que o grande problema dos videogames é a substituição do contato direto entre as pessoas, da palavra e a comunicação entre pais e filhos, irmãos e amigos.

“Como tudo é virtual ou cada um joga sozinho, o isolamento é a marca desse uso excessivo de jogos eletrônicos, o que dificulta a aprendizagem do lidar com a diferença do outro. Quando em contato com essa diferença, crianças, adolescentes e adultos tem apresentado comportamentos intolerantes e agressivos”, explica a professora. Segundo ela, o problema não é o videogame, mas sim a relação que o sujeito estabelece com essa modalidade:  ”O problema é o excesso de tempo que se passa fazendo isso, ao passo que teriam outras possibilidades de diversão, que incluem as relações interpessoais.”

Formação e mediação de conteúdo pelos pais

A tecnologia traz fácil acesso aos conteúdos adultos e não indicados para menores, não só nos videogames, mas na TV e computador também, postulando uma mediação entre este conteúdo e os jovens. Andrei Longen (26), redator e colunista de um dos maiores portais de Games e Tecnologia do Brasil, Adrenaline.com.br, afirmou para o Flecha no Joelho que orientação é a palavra chave. Longen é gamer desde os 8 anos e conta como foi o acompanhamento de seus pais: “Meus pais sempre foram onipresentes na minha educação. Não se importavam que eu jogasse os tais games violentos, mas moderavam a prática com muita sabedoria. Afinal, eu precisava aprender a dividir meu tempo entre obrigações escolares e o lazer.” Sobre a mediação de conteúdo na internet, Longen ressaltou que é importante restringir o acesso dos jovens a certos conteúdos como pornografias e cenas de extrema violência e deu importância especial às redes sociais. Segundo ele, apesar de gostar e fazer uso frequente das redes sociais, já viu conteúdos pornográficos, pessoas dilaceradas e outras bizarrices em sua página de atualização, “por isso, acredito que é preciso uma forma de acompanhamento com os filhos nestes ambientes e, é claro, impor limites de uso”. Para Longen os jovens afetados pelo conteúdo violento dos games ou outras mídias carecem de “uma bagagem mais forte de criação e educação herdada do ambiente em que elas estão cercadas. Isso é fator decisivo na personalidade, percepção de realidade, formação de caráter e de conduta de qualquer indivíduo”.

Fonte: Estadão

 Os games, como apontam as teorizações do campo, são uma amostra do lado prejudicial das novas tecnologias de comunicação. A não adaptação e falta de consciência dos educadores, em especial os pais, às mazelas que a exposição excessiva, precoce ou indevida a certos conteúdos da mídia dão margem à má influência nos jovens pela mídia. Os pais, de acordo com Markey, pesquisador da Universidade de Villanova, EUA, em entrevista à IDGNow, devem ficar atentos aos jovens que demonstram comportamento agressivo e histórico de hostilidade. Estes são predispostos a demonstrarem mudanças de comportamento, especialmente quando contrariados.


Veja aqui a matéria da IDGNow sobre games e comportamento.

Apesar de divergirem em certas ocasiões, tanto a psicologia quanto os especialistas em games apontam que o cuidado com o conteúdo acessado pelos jovens deve começar pela família, redobrando a atenção em relação à rotina e escolha de seus filhos. A escola, por sua vez, deve atentar para problemas como bullying e isolamento. Apesar de não haver unanimidade nas pesquisas científicas, os vilões da história podem não ser os games, mas os desleixos na formação do sujeito pelos seus educadores.

 

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Falha Nossa: seria mesmo um mal entendido?

Filipe Monteiro

Por que será que sempre quando estamos sob pressão, estressados, ou, até mesmo, distraídos, temos a estranha tendência em trocar o nome das coisas, falar o que não devemos, ou dizer o exato oposto do que pensamos em falar? Este inusitado fenômeno não é novidade para ninguém. Há quem diga que tudo não passa de uma confusão das ideias, outros afirmam que há um motivo por trás do erro. Quanto ao conceito principal, Freud explica.

Reprodução: Google Imagens

Um dos casos mais polêmicos foi a falha cometida pelo tucano José Serra, na ocasião candidato à presidência do Brasil. Em campanha, Serra afirmou “eu nunca disse que sou contra o aborto, até porque sou a favor”, querendo dizer exatamente o contrário. Segundo o peessedebista, a ocasião não passou de um mal entendido.

Outro caso bastante comentado foi o episódio em que a jornalista Ana Paula Padrão, apresentadora do Jornal da Record disse ao vivo da cerimonia de abertura dos jogos olímpicos de Londres: “você está assistindo o Jornal da Globo”. Para muitos isso tudo não passou de uma confusão de palavras. É o que também pensa a aposentada, Marlene Lapa, 74. “Na hora da confusão, a razão fala mais alto. Eu acho que quando isso acontece, é apenas uma confusão de palavras. Nada além disso”, comenta.

Uma nova perspectiva

Reprodução: Café com versos

A compreensão dos estudos acerca do ato falho pode ser de suma importância em vários setores, seja na análise de mídia, análise política, na educação ou até mesmo na rotina diária.

A professora Soraya Farias, especialista em psicopedagogia pela Universidade Severino Sombra, destaca a importância da aplicação da psicologia nas relações com as crianças. “Todo mundo está sujeito a dizer as coisas sem pensar, mas com crianças isso ocorre com uma frequência maior. O papel do psicopedagogo é escutar tudo o que se tem a dizer com atenção e transmitir confiança, assim o aluno poderá se abrir e dizer os problemas que normalmente não diria a um professor. Dessa forma pode-se trabalhar o problema”.

Quanto à percepção das atitudes dos estudantes, Soraya ainda lembra: “Ao conversar com a criança, deve-se tomar o cuidado de adequar a linguagem usada. Não se pode tratar a criança como um adulto, mas tratá-las como bebês também não é eficaz. Uma simples análise de palavras ditas e atos pode ser suficientes para ter uma noção do que a criança vive em casa ou na rua”, afirma.

Falar com calma, organizar ideias, e prestar atenção no que se diz podem ser alternativas eficazes na elaboração de um discurso coerente. O que não se pode esquecer é que todos estão sujeitos a cometer falhas ou deslizes na hora de se expressar. Coincidência? Talvez. Confusão? Não se sabe. Isso tudo pode ser uma boa peça pregada pelo inconsciente. Em meio a tantos pensadores e cientistas, a afirmativa mais válida talvez venha da boca de um sábio garoto mexicano: “foi sem querer querendo”.

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