Quem sai de madrugada na Quaresma, vê assombração?

Hiago Maia

A histórica Ouro Preto, localizada a 96 km de Belo Horizonte, sobrevive material e imaterialmente à ação do tempo. Além dos inúmeros conjuntos arquitetônicos, a riqueza cultural se faz ainda muito marcante através de mitos, crendices e casos que são passados de geração em geração. É muito comum que se ouça dos moradores mais antigos que deixar o chinelo virado causa morte dos pais, guardar peças de roupas do lado avesso dá azar, quem dança durante a Quaresma cria rabo de capeta e outras “sabedorias populares”.

Falando ainda sobre o período da Quaresma, que segundo a tradição cristã, representa os quarenta dias em que Jesus jejuou e foi tentado pelo demônio no deserto, reza a lenda que quem sai de casa depois da meia noite na Quaresma, corre risco de ver assombração.

Natural e residente nas tortuosas ladeiras da cidade, Milton Correia Maia, 78 anos, viveu uma experiência que, para a época, validava essa máxima popular. Milton conta que, aos 25 anos, quando voltava de um programa com os amigos, resolveu encurtar o caminho de volta para  casa passando pela Igreja de São José. A hora já se fazia avançada e o trajeto seguia pela mal iluminada rua lateral da igreja, cercada por um cemitério, quando Milton teve sua atenção desviada por um estrondo. Olhando para o interior do cemitério, viu que um faixo de luz se materializava diante de seus olhos. Com a iminente aparição sobrenatural, Milton se apressou em afastar-se do local.

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Passados muitos anos, os avanços da ciência foram tornaram-se mais acessíveis à população que, por sua vez, viu muitos casos como o relatado por Milton sendo desmitificados por explicações científicas. A luz no cemitério, por exemplo, pode ser explicada pelo fenômeno natural denominado “Fogo Fátuo”, resultante da ação de bactérias decompositoras que atuam nos cadáveres, emitindo gases que, em contato com o oxigênio, geram uma espécie de chama.

Quem fala mais sobre este fenômeno é o laboratorista químico Milton Júnior dos Anjos Maia, comentando o episódio vivenciado pelo próprio pai, décadas antes: “Hoje em dia não se ouve mais falar do Fogo Fátuo. Na época em que meu pai viu, os caixões eram sepultados diretamente na terra, o que aumentava a circulação de oxigênio no interior das covas. Agora que usam cimento, é muito difícil de ter circulação de ar”.

Contrários aos estudos científicos, muitos ouropretanos preferem defender a tese de que assombrações são responsáveis por esse tipo de fenômeno, uma vez que muitos outros casos relacionados a aparições fantasmagóricas já foram presenciados e relatados na lendária e misteriosa Ouro Preto. Afinal, quem se aventura pelas madrugadas ouro-pretanas na Quaresma, vê ou não vê assombração?

Foto: tudojoia.blog.br

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